Resenha do livro “A Fórmula do Amor”, de Elizabeth Kantor

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Quer saber a fórmula de se dar bem no amor?
É o que o livro, A Fórmula do Amor, da autora Elizabeth Kantor propõe em interessantes explanações literárias, seguindo a visão de uma autora famosa da época do Romantismo, Jane Austen. Kantor usa como exemplo os entremeios dos relacionamentos abordados nos romances de Jane Austen, com a proposta de como ela enxergaria os relacionamentos atuais seguindo os mesmos preceitos.
Jane Austen é uma das autoras inglesas que mais tem seguidores pelo mundo todo, ardorosos e fiéis ao seu modo de enxergar os relacionamentos e ligações amorosas. Ela tem uma sensibilidade de expôr uma outra visão de como enxergamos os homens e o modo que as mulheres deveriam ou poderiam exercer tais “conselhos” e tratá-los de um modo diferente, com sensibilidade e delicadeza. Nem sempre o modo que enxergamos os homens é a correta, pois mesmo a visão pode pregar peças quando não se depura, possibilitando com que distorçamos as coisas que se mostram óbvias, mas que se abrirmos mais o campo desta visão, enxergaremos a coisa como um todo. Um lapso de mau entendido, avaliado como um todo, dá margem a conclusões ilusórias. Usar a sensibilidade e sobretudo a razão em avaliar os sinais de comportamento é algo primordial para não resultar em mau-estares ou confusões sentimentais.
O que enxergamos é apenas uma ínfima parte de uma contexto muito maior e complexo. Não é a pura e simples ação que conta, é preciso ter a frieza de se ver o contexto todo e antes de tirar a conclusão, manter a calma e guardar a compreensão de quando for necessária.
Os homens não são retratados como somente os únicos culpados pelos tropeços desastrosos em relacionamentos. A mulher tem grande parcela pois usa o orgão errado para obter resultados que querem em relacionamentos. Tudo ela faz para se ter um relacionamento que possa se acomodar e não ter se esforçar mais. Ou seja, tudo se pensa e menos no que realmente importa, que é o amor.
Ambos os sexos não estão preocupados em buscar no que é mais importante e o ponto comum entre os dois, que é o amor verdadeiro. Buscam primeiros satisfazer as necessidades que acham mais urgentes, principalmente no que tange à sobrevivência e obtenção de status. Tratam o amor como algo “intangível” ou digno de romances onde eles próprios não se enxergam como príncipes/princesas de suas próprias histórias de amor.
Se vêem como buscadores de posses materiais e status, que iludidamente esperam que resulte em companheiros/as que possam depositar seus amores valiosos. O que nem sempre encontrem a pessoa que esteja em um momento de suas vidas dispostas para o mesmo objetivo, ou que estejam em um momento propício a isso.
Nada disso importa a partir do momento em que se está tão longe em sua busca de posses e status, que perdem algo pelo caminho. E quem sempre fica para trás é o pobre do Amor.
Hoje em dia ouve-se muito que as mulheres não sabem o que querem. O mesmo dos homens, que só querem o que as mulheres fornecem facilmente com cantadas e bebidas.
A verdade é que sempre vai existir esse desencontro de interesses.
O que existe entre as mulheres é que elas sabem bem o que querem. Só não acharam o homem certo para o que elas querem. Elas dão a ideia de que não sabem o que querem, pois quem notou esse detalhe, é que não era a pessoa com quem elas queriam ficar de fato.
Acredito, não digo só por mim, é que elas estão escolhendo cada vez mais quem elas querem ter como um companheiro. Tendo acesso a conhecimento, parâmetros de personalidades e estilo de vida, o que elas querem é um outro eu dela mais próximo dela mesma.
Não falo pelos homens, mas acredito que não foge do que as mulheres querem também. O consenso de achar a quem possa dizer que seja a porção mais parecidas de si é o passo para abrir o caminho para que o Amor surja naturalmente. Ou não, pois nem sempre quem você encontra ser mais parecido é o par perfeito para amar como um namorado e futuro marido. Pode amá-lo verdadeiramente como um amigo ou amante.
A verdade é que o Amor pode se extender em modos diferentes para ser vivenciado. Seja na forma de um amigo que compartilhamos nossas intimidades e cumplicidade na busca de um amor sincero. Seja em um amor que evoluiu sendo de um amigo e que cresceu para evoluir na forma de um namorado que te ame incondicionalmente. E por aí adiante, se optarem compartilhar o resto de suas vidas em um enlace matrimonial, juntos para se amarem e suportarem as chatices um do outro, sem se importarem.
Não existe uma fórmula perfeita para se encontrar o amor verdadeiro. Por mais que exista receitas, passos a serem seguidos, milhares de conselhos a serem escutados gratuitamente. Em nada adiante se as pessoas não estão dispostas a enxergar os reais sentimentos de outro, ter a sensibilidade no lidar e conversar com a pessoa que compartilha do mesmo interesse, e principalmente, abrir-se para que o outro se aproxime sem que se valer do sexo para se obter um relacionamento verdadeiro. E mesmo seguindo tudo direitinho, corre-se o risco de que uma paixão exploda e consuma sua razão e sanidade mental, para que no fim, restem as cinzas deste tipo de relacionamento, onde as lágrimas e lamúrias é que lavarão o que restou.
Digo que é um livro que vou voltar a ler mais vezes pois iniciei a leitura dele sem conhecer Jane Austen. Iniciei por mera curiosidade e avidez por uma leitura mais inteligente. E por não ter nunca lido Jane Austen, pareceu-me meio irritante em algumas partes em que a autora descrevia as complexidades dos relacionamento dos personagens das histórias. Mas era algo passável pois a proposta era criativa em como mostrar a busca pelo amor seguindo a literatura de Jane Austen. Pensava que seria como um livro de auto-ajuda, mas me surpreendeu como uma escrita criativa e interessante, além da amostragem de outros pontos de vista de outros tipos de literatura e série de tv, que todos abordam o amor de modos diferentes.
Por causa do Fórmula interessei-me pela literatura de Jane Austen. Mostrou-se ser uma literatura notável, inteligente e elaborada sem beirar o pieguismo barato dos livros de romance atuais. É possível um bom romance sem se valer da sensualização de personagens e sexo velado nos relacionamentos casuais. Pode servir para mulheres que anseiam por encontros sexuais e casuais que nunca caberiam em suas rotinas domésticas e corpos deformados pela rotina.
E gostei do modo que Kantor esquadrinhava cada relacionamento dos livros. Agora quero ver nos livros da Jane e saber quem é quem que a Kantor descrevia.

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