A Metamorfose, de Franz Kafka – Resenha de livro

A_Metamorfose_Franz_KafkaNos padrões editoriais de hoje em dia, este seria um livro que a maioria dos editores mandaria modificar para se adequar aos padrões editoriais vigentes. Isto seria a morte ou uma deformação tão cruel para a história, que praticamente a destruiria.
Digo isso pois a história relatada em tão poucas páginas, para livros comerciais que estamos acostumados, é simplesmente perfeita em seu balanceamento de escrita e narrativa. Ela, por sua estrutura de enredo se encaixa harmoniosamente por seus tópicos de ações de enredo.
A história do caixeiro-viajante Gregor Samsa, que acorda uma certa manhã transformado em uma barata (isso mesmo!). À primeira vista, que pelo fato insólito já desperta o interesse pela história de como o personagem se sairia dessa. E curiosidade  também ativada em ver de que maneira o autor desenvolveria a história sobre algo tão inusitado.
A particularidade da escrita de Kafka traz uma certa simplicidade no desenvolvimento da história. Sem grandes rodeios literários, ele narra de tal modo que não se perca em floreios o enredo que poderia ser desenvolvido em bem menos páginas. Ele transforma a história em algo que o leitor se prende para saber como um homem transformado em algo repulsivo, de como seria o desfecho.
De certo modo, esta história é uma analogia da condição de um homem comum, que ao enfrentar algo que transforma sua rotina brutalmente, mostra o impacto ao redor , em seu meio social. Se trocasse a situação, de ao invés ser uma barata, ele vir a sofrer de uma grave doença debilitante, a situação seria idêntica.
A quebra da rotina  mexe de tal maneira na família e outras pessoas que circundam, que obriga-as a sair de seus estados vegetativos de inação e rotina. Obriga-as a se mexerem, tomar atitudes para suprir o que lhes fará falta, que os dinheiro para a sobrevivência.
Mas é o tipo de mudança que fazem-os despertarem para o que eles definiram como é viver. E percebem que o modo de vida que tinham não proporcionavam os verdadeiros sentidos do que é a vida em si. Deixam de admirar os que são realmente preciosos e que estavakafka-2am eclipsados na condição de cegueira social anterior à transformação do caixeiro-viajante. E também traz à tona todas as complicações psicológicas que sufocavam em suas rotinas. A mudança revela o que há de pior e o melhor nos personagens envolcidos.
É interessante que o leitor não se atenha à primeira vista que a leitura desta história traz. Nem todas histórias são o que são à primeria vista. Racionalizar sobre o que ela nos traz, faz descobrir que elas trazem mais do que imaginávamos e a análise sobre esses aspectos traz não só a admiração, mas um esclarecimento recompensador. A mensagem incutida nessa história é maravilhosa, que nos diz que foi necessária uma mudança radical na vida de um, para que o resto se transformasse também.
Mudanças não são ruins. Se sente um impacto coloroso é porque existia uma cegueira seletiva para o que queria ver e  não para o real problema que orbitava a condição. Quando ocorre o momento de se abrir os olhos para os problemas reais, o choque é realmente doloroso.
O caixeiro-viajante tinha uma vida de aparente conforto material e familiar. Mas ele era prisioneiro em uma rotina sufocante, onde era tratado como um ser útil pra trazer o sustento, em uma condição abaixo de um homem digno. A transformação dele como barata foi a personificação de sua condição diante da vida que tinha. Ele já era uma barata metaforicamente falando, só faltando a transformação física.

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3 thoughts on “A Metamorfose, de Franz Kafka – Resenha de livro

  1. Acredito que houve um equívoco, (pois pelo menos na edição que li) em nenhum momento o autor cita o tipo de inseto em que Gregor Samsa se transformou.

    • Não houve equívoco pois ele não precisou nomear que tipo de inseto se transformou pois pelas características descritas presume-se que é uma barata. Nos trechos em que ele constata as transformações, cita-se o tipo de inseto que vive em devorar restos de comida e rastejar pelos cantos a evitar a luz e a presença humana. Não é necessário dar um nome pois só o sugestionamento dá a entender que se trata de uma barata. Tem que se analisar o contexto e na mente do leitor materializar a figura sugerida que maia cabe à situação.

  2. Creio que a barata, melhor personifica o caixeiro pois no cotidiano os seres humanos, menos sensíveis, costumam tratar seus semelhantes como normalmente se trata uma barata, ou seja, a ignoram como existente, porém repugnam a sua presença.,,

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