O Livro do Cemitério, de Neil Gaiman – Resenha de livro

O-LIvro-do-CemitérioUm crime brutal que vitimou uma família e uma milagrosa fuga, faz desta história uma das muitas que o escritor produziu , que faz parte de seu mundo de encantamento literário.
Não há como negar que foi Neil Gaiman que a escreveu. O tipo de estruturação e narrativa casuais bem amarradas, personificação bem feita dos elementos pertecentes ao enredo, etc. Enfim, tudo com cheiro e letras de um dos escritores ingleses mais famosos.
Depois de escapar de um crime brutal, o órfão é adotado por fantasmas. O casal Owens o chama de Ninguém Owens e cuidam-no  como um filho. Ninguém recebe a permissão de viver no cemitério, entitulada de “Liberdade de Cemitério”, que lhe permite perambular por entre os túmulos e terreno do Cemitério como se fosse um deles. Recebe até lições de como ser um fantasma, tal como sumir e assombrar nos sonhos, por exemplo.
Mas não haverá escapatória de seu destino, onde um cruel assassino está à sua caça para cumprir sua missão em que falhara inicialmente.
Inclusive existe uma personagem, Elizabeth Hempstock, é descrita como a antepassada de uma família de personagens pertencente a um outro livro, O Oceano no Fim do Caminho. Foi uma surpresa agradável este tipo de correlação, pois dá uma linhagem de personagens que perpetua por mais de uma obra. É uma estratégia muito boa pois é um tipo de “amarração” de histórias onde atrelam-se fatos e eventos, memso em livros separados, de que tudo pertencem a um único universo.
É curioso o modo de que se poderia narrar a vida de um ser humando aparentemente comum, a viver em um lugar que imaginamos, ou tínhamos certeza, de que não seria possível ter viver decentemente.  É possível viver sim, mas de forma fora do normal de nossos padrões sociais e habitacionais.
Poderia-se contestar esse estilo de vida como algo inaceitável. Mas de um modo positivo, o personagem estava livre das viciosidades  da vida moderna que o tanto reclamamos, mas que acostumados a conviver e suportar.
Mesmo cercado pela morte (pelo pontode vista dos vivos), o personagem tem uma vida mais digna e repleta de cuidados que quase não teria se vivesse entre os vivos. Estranha, mas uma carinhosa convivência e exemplo de valorização do que eles se encarregaram para amar.
Ninguém Owens é cercado de cuidados, tanto dado pelo casal de fantasmas, mas também pelo taciturno e misteriso guardião Silas.
Mesmo em situações em que as crianças são obrigadas a conviver, tal como o bullying na escola, o tipo de educação que o personagem recebera, dá um amparo psicológico que o torna uma criança diferente das outras. Ele se torna um fantasma vivo entre os alunos, um invisível para a sociedade, que não guarda quase nenhuma memória visual dele.
Confesso que até rolou uma lágrima e um aperto na garganta no desfecho da história. Não há como não se enternecer o desfecho de uma trama onde  um inocente foi salvo, se transformar em um ser humando repleto de dignidade e princípios humanitários decentes.
Foi uma leitura muito agradável e fluida, que para fãs, ou não, do escritor Neil Gaiman, gostarão e, como eu, repetirão em ler para se deliciar mais de uma vez.
Mais uma vez, a fantasia de suas histórias envolvem-nos em uma magia que encanta a cada reviravolta e situações conflituosas e emocionantes.

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