Belleville, de Felipe Colbert – Resenha de Livro

Belleville_FelipeColbert302 págs
Editora Novas Páginas

Logo pela capa acreditava que seria uma história típica juvenil. Mas despi todo preconceito e embarquei na leitura, disposta a descobrir até onde a história levaria.
A exposição dos personagens e suas situações de vida iniciaram de forma morna, tranquila. Era como o prenúncio da viagem da montanha russsa, onde o vagão é içado lento a tempo suficiente de admirarmos a paisagem. O ritmo prossegue calmo a ponto de ficarmos impaciente em saber “aonde está a emoção?”.
Mas quando mal percebemos em que chegamos no pico inicial da primeira descida, o que transcorre é uma sequência escrita que prende-nos em nossos lugares, só sentindo o vento e a emoção da descida. A sequenciação da história vai em um sobe e desce esperado nas curvas da emoção e narrativa dos conflitos dos personagens, em suas rotinas e em seus dramas pessoais.
O que une os personagens é o mistério de como se comunicam. Esse é o elo que conduz todo vagão/contexto da história, que apesar do mistério de como ocorre, eles prosseguem em uma linha de comunicação onde o apego ao mistério os motiva a seguir suas vidas, é algo simplesmente tocante. Quando nada mais em suas vidas faz mais sentido, o modo de comunicação e as cartas une-os cada vez mais a um único objetivo: de se conhecerem, apesar das circunstâncias materiais impossíveis.
A cada agrura que cada personagem passava equivaleria àquela curva mais fechada em que o vagão reclinado, onde pensa que vai despencar tudo à volta. Há momentos onde a leitura se intensifica, que desejaria não estar ali, apesar de estar preso à leitura. Mesmo sabendo como seria o final, desejaria saber como acabaria.
O final de toda a narrativa une o improvável com o inesperado funcionou tal como a curva final, onde o incrédulo dá-nos o tipo de finalização que seria o trilhar final tranquilo e esperado.
Esperava uma estrutura de história normal e até previsível, que subestimei inicialmente. Felizmente ao longo da leitura foi além das expectativas.
Não resisti a fazer um comparativo a uma viagem de montanha-russa (afinal é o tema do livro, né?). Pois foi exatamente essa a sensação que a estrutura da história me passou.
Quando se elabora uma projeto de uma montanha russa, tudo é bem pensado e planejado principalmente por especialistas que sabem o que fazem para que quem for desfrutar de um passeio, de ter a emoção esperada e sem acidentes de percurso.
A construção desta história foi bem cuidada, com a estruturação de seus picos de clímax e descidas da curva de narrativa, onde a construção dos personagens fora pensada para o público juvenil, para se identificarem e se sentirem próximos a eles. Os dramas pessoais e psicológicos enfrentados são tipicos que a maioria dos jovens enfrentam: situações rotineiras que tem que resolver sozinhos, a escola, a socialização com aqueles que tem que suportar para sobreviver, a indiferença daqueles que deveriam dar-lhes apoio, a ausência dos entes queridos, a solidão, e dentre outros.
Digo que foi um livro bem elaborado, bem pensado em seus detalhamentos e momentos em sua linha de história. Sua escrita foi feita por quem sabia o que narrar e principalmente, como contar uma boa história.
Foi uma leitura que, mesmo destinada ao público juvenil, proporcionou uma boa e emocionante viagem. Um bom livro reconhecemos assim. Se faz-nos esquecer um pouco da rotina e transpor-nos em algo agradável, isso é que vale.

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2 thoughts on “Belleville, de Felipe Colbert – Resenha de Livro

  1. Embora eu tenha apreciado a sua resenha, Marcia, não posso dizer exatamente o mesmo do livro. A história é OK, mas não me cativou. Achei os personagens muito rasos – culpa, talvez, de minha leitura imediatamente anterior, “Olhai os Lírios do Campo”. De todo modo, deixarei minhas impressões no skoob e no EC, oportunamente. Um abraço.

    • Agradeço a opinião e a apreciação pela resenha, Gustavo.
      Realmente, dependendo de certas leituras, influenciamo-nos e é inevitável a comparação. O interessante é o impacto de determinadas leituras em certas épocas. É por isso que releio certos livros para ter certeza do que li na época fora algo bom mesmo. De qualquer forma, é otimo ter uma reciproca de minhas resenhas. Obrigada

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