O Amante, de Marguerite Duras – Resenha de livro

O_AmanteCosac Naify Portátil

128 págs

Em um linguagem de narrativa fragmentada, a história autobiográfica é narrada sob diferentes enfoques. Em momentos que vão e voltam no tempo da narrativa, mostram momentos da vida da personagem que, em sua adolescência possuía um relacionamento com seu amante, um chinês rico. Ambienta-se na cidade de Saigon, que na época era chamada de Indochina Francesa, a personagem narra a também o convívio com sua conturbada familia. Sua mãe, viúva e arruinada financeiramente, tinha problemas sentimentais e psicológicos que afetava o resto da família. Seus irmãos, o brutal e egoísta irmão mais velho, rouba sua própria mãe para pagar as dívidas com o vício. Seu irmão mais novo, mais fraco, sucumbe às agruras da vida difícil. Para ambos os membros da família a personagem tinha um enfoque psicológico difeenciado. Para a mãe, era algo que oscilava o amor intenso de uma filha a de um ódio pela incompreensão pela devoção da mãe a um irmão brutal. O desprezo e temor pelo irmão mais velho paralisava a personagem. O amor pelo irmão mais novo é a válvula de escape para toda a fala de atenção e miséria que ambos conviviam. Os flashes de lembranças são narrados de modo singelo, como se esvanesse toda a crueza dos fatos passados da juventuda da narradora. A miséria, a preparação precoce para a entrada na vida como mulher, as atitudes de sua mãe desesperada para sobreviver; todas as passagens são relatadas com uma poética delicada, sem apelar para a vulgaridade dos fatos duros. Existe uma passagem, onde o simbolismo da vestimenta da personagem é simplesmente genial. O chapéu masculino, representa o pai ausente. O vestido sem mangas, semi-transparente, é a representação de sua mãe. Os sapatos de lamê dourado de festa indicam a futura prostituição. O cinto que segura seu vestido representa seus irmãos, que moldam sua silhueta e seguram o vestido. A cada passagem narrada deve-se ser acompanhada com uma certa atenção, pois sua narrativa fragmentada tende-se a perder ou confundir os fatos. Portanto, é nbormal ir e voltar nas páginas pois as passagens são sutis. Uma história para refletir que por lembranças assim narrada pensa-se que a autora não só as colocou no papel por ter uma certa saudade de um tempo remoto. Talvez porque podia aspirar um amor novo, assim como por sua juventude perdida, com suas experimentações e de como ainda era ligada à família. Laços sentimentais assim são difícieis de se desligar, de uma hora para outra. Por mais que sejam complicadas e traumatizantes, são as dificuldades que transformam aqueles que conseguem superar e trazer à tona, de forma poética e produtiva, histórias passadas que beiram a ficção.

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