Redrum, Contos de Crime e Morte – Resenha de livro

RedrumDiogo Bernadelli, Vitor Toledo, José Geraldo Gouvêa, Bia Machado, Pedro Viana, Fábio Shiva e A. Z. Cordenonsi
Editora Caligo
150 págs.

Antologia que reúne contos de casos de crimes e morte, onde as histórias versam em variados estilos, do mais poético à mais crua narração do que é o crime, tanto praticado por quem o narra, assim como o testemunhal sob a visão atônita de quem não espera o pior que a natureza humana pode transmutar de suas ações e imaginação. Em situações cotidianas, onde o caminhar dos fatos que transcorre pelo inesperado, em um descortinar em passos de perturbações que evoluirão a descaminhos amargos da angústia e tragédia humana.
São setes contos dentro da temática de contos de mistério, onde a cada versão de cada autor mostrará as maneiras de como a tragédia criminal transcorre em mentes e vidas que poderia ser de qualquer um, que tiver o infortúnio de ser testemunha de situações cotidianas assim.
Sendo ou não comuns, são histórias que merecem uma leitura mesmo para quem não é familiarizado ao tema.

Refração – Diogo Bernadelli
Em uma narrativa de continuidade fragmentada, conta como um homem comum que vive seus dias, alcançando descaminhos mentais perigosos e irreversíveis. Um momento mal explicado desencadeia eventos que culminam a tragédia.
A leitura divide-se nos tempos do passado e presentes dispersos, narrados tal como flashes de um filme moderno, onde a predisposição apra o crime e atragédia são relances a se atentar com calma e reordenação mental exigida.

Segunda Sombra – Vitor Toledo
O estresse dentro do cotidiano de um homem desencadeia um abalo mental que tem por consequencias angustiantes e desastrosas para quem não planeja estar envolvido ao crime.
A escrita bem desenvolvida, a evolução da história transcorre de tal maneira que nem se espera o ápice ou os os fatos que azeitaram a trama toda. É o tipo de história que te envolve desde o começo e espra-se pela finalização como o respirar final de uma grande aventura.

A Noiva Liberdade – José Geraldo Gouvêa
Pela motivação de saciar uma curiosidade mórbida, a atenção de um homem comum é capturada pelo fato de ser vizinho de um cemitério, além do fato de ser testemunha do decaimento real de uma pessoa, que culmina em uma tragédia impensada.
O estilo de narrativa simples mas não menos carregada de uma certa poética, a história soube como capturara a atenção, tal como fosse a narrativa de causos que escutamos pelas rodas sociais. A evolução de sua narrativa carrega-nos de um lirismo que pouco encontramos nos livros comerciais, que encapsulado em um estilo único de escrever, traz uma poética rara em algo que seria uma mera tragédia humana em algo que dilareçaria os mais frios dos corações. Contos de mistério como esse seriam o bálsamo para tirarmos da literatura comum para um patamar mais elevado literário.

Benevolência – Bia Machado
Como as vidas em uma pacata cidade do interior pode ser abalada por tragégias pessoais com requintes de perturbação psicológica. Um moradora nunca mais será a mesma depois de receber uma família.
Quase se muita separação do que seria o emotivo da narradora do que foram os fatos que ocorreram dentro desta história de mistério, a história transcorre em uma narração quase hipnótica para acompanhar a sucessão de fatos que certamente culmina no esperado.

A Vidente – Pedro Viana
O mistério ligado ao sobrenatural traz a história de uma mulher que em sua vida complicada de drogas e prostituição, levou-a a ser uma vidente. O inesperado traz consequências amargas a quem não levou a sério o que é o sobrenatural, que sempre traz seu recado misterioso por meios tortos.
Surpreende-se pela escrita bem cuidada o evoluir da história que prende do começo ao fim. A fluidez da leitura é de um continuismo suave e que mal se vê o fim chegar. É o tipo de história que pega-nos pela surpresa e entrega-nos sem ter maiores incidentes pelo caminho.

A Marca – Fabio Shiva
Temas esotéricos em desencontro a temas científicos, em uma trama que um professor e cientista envolve-se em descaminhos pessoais de orgulho e inveja, com desfecho surpreendente.
Apesar da insistente exploração de explicações esotéricas em meio a narrativas casuais de personagens, a evolução da história transcorre um pouco confusa, mas de uma temática interessante. Aliar somente ao final o fator surpresa do que é o mistério o qual gira em torno de vidas humanas é algo esperado na finalização da história.

Uma Noite no Farol – A. Z. Cordenonsi
Sob o clima de conto clássico policial, um detetive é levado a um local distante para investigar uma morte de um nobre, não que não ocorreu.
A escrita que assemelha a de contos clássicos policiais foi o diferencial para esta história, que chama pelo inusitado de se descobrir o que ainda não ocorreu. Mas quando a tragédia ocorre, a investigação do personagem desvenda o mistério de forma inesperada.

Projeto Gráfico do livro:
Há detalhes nele que achei bonitos e que ficaram bem graficamente, como a abertura de cada conto e as fichas de cada autor no final. Muito bem pensada as aberturas com as ilustrações de manchas imitando borrões de sangue. Os títulos em fonte script ficaram muito bem balanceadas com o fundo.
O problema foi o tamanho e o tipo de fonte utilizada, muito pequena para uma mancha de texto grande e quadrada, onde as margens ficaram pouco proporcionais. De certo odo a leitura fica comprometida em um mancha de texto larga assim pois traz um esforço visual desnecessário para o leitor.
O projeto todo ficaria bem em um livro de formato menor ou mais estreito, proporcionando uma mancha de texto com margens mais balanceadas, além de pedir uma fonte maior (pelo menos corpo 11,5 a 13).
A capa poderia ter sido melhor trabalhada em forma de ilustração digital ou fotomontagem. Da maneira que foi feita atende à ideia principal, e que poderia ter seguido ao design gráfico interno, que está muito bom.

Opinião:

Achei a leitura do livro muito boa, de qualidade literária surpreendente. Problemático foi encontrar um ou outro conto que usaram o tema (conto policial) apenas como um mero detalhe na história. Como leitora assídua do tema, irritou-me um pouco por esse fato, da casualidade de vê-lo tratado dessa maneira.

Mas de uma maneira geral, sob uma ótica e foco diferentes, ao se ater à qualidade literária, foi o diferencial neste livro.

A escrita da maioria dos autores é bem desenvolvida e que mostraram o quanto são bons no que fazem. Houve um conto que me surpreenderam com uma poética que me tocou profundamente. Cheguei às lágrimas com a mensagem deste mesmo conto, que penso que se tivessem mais desse tipo nessa qualidade de escrita, a obscuridade que ronda muitos livros comerciais não assombraria leitores a um mundo de letramento. Outros mesmos, com uma evolução em suas histórias compete em muito a contos de autores conhecidos, que me parecem pálidos em seus distanciamentos literários. Sinto-me revigorada por uma leitura surpreendente que leitores deveriam valorizar mais a literatura nacional de escritores menores por status mas não em qualidade poética e literária. A grandeza em qualidade literária torna esse livro uma leitura que vale a pena.

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2 thoughts on “Redrum, Contos de Crime e Morte – Resenha de livro

    • Eu é que agradeço. Quem dera ter mais exemplos de bons escritores para que inspiremos a ler e escrever cada vez mais e de melhor qualidade literária.

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