Milagrário Pessoal, de José Eduardo Agualusa – Resenha de livro

Milagrario_pessoalEditora Língua Geral – Coleção Ponta de Lança
240 págs.

Como trabalha um caçador de neologismos? Esta pergunta acerca o trabalho da personagem Iara, que pesquisa pelo computador novas palavras que surgem. Sua função é analisá-las, classificá-las e se são merecedoras de ocupar um espaço nos dicionários da língua portuguesa. Ela conta com a ajuda de seu professor e companheiro para este tipo de trabalho. Ela descobre que estão subvertendo as palavras, dando-lhe novos sentidos que as mutilam.
No árduo trabalho de caça às palavras e de quem as modificam, ocorre também um desfile de muitos personagens e histórias ligadas à criação e origens de tantas outras palavras. A riqueza cultural ligada à língua portuguesa que ladeam a sociedade africana, transborda em história de seus intelectuais, poetas e literárias que contibuíram para o enobrecimento e perpetuação da língua que nos colonizou.
Não há como disfarçar ou mesmo deixar de não querer saber das inúmeras histórias entrelaçadas ao caminho dos personagens do livro. E demonstra o quanto de apreço e acirrez os interessados e amantes de nossa língua dispõe de mantê-la original, enriquecida sem pervertê-la, além de dar o valor histórico linguístico que carrega a língua portuguesa. Atribui-se até, de tão rica e diferente é a língua portuguesa, que certas palavras têm de origem vind da língua dos pássaros, de tão mágica e encantadora são seus significados.
Todas as histórias entrelaçadas possuem uma aura de certa magia que somente o autor soube colocar para que o fascínio poético que nossa língua pode oferecer-nos, além do aprofundamento enraizado que a sustenta e mantêm-na próspera no eu crescimento cultural linguístico, a suportar os estrangeirismos que mutilam nosso vocabulário que muda a cada passagem de gerações.
Soube o que significava Desamparinho, este que é de origem cabo verdiano, é dado o nome àquela hora do final da tarde, quando o dia cede o lugar para a noite. Agora, o entardecer ganhou mais um substantivo que o embeleza.
Aos amantes, admiradores e defensores da língua portuguesa, não há como não se deliciar com esta obra, enriquecedora e interessante, que enternece seu uso e a valoriza como ninguém mais pôde.

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