Divagações sobre a Ficção Policial – Sob a visão de estudos do gênero, Brasil e novas tendências

detetive-adultério-300x300A partir de determinado século, na evolução de categorização do gênero do romance policial, foi-se separando as histórias que facilmente eram atribuída a um ou outro subgênero, de acordo com elementos de sua estruturação de narrativa. Separou-se do Romance de Enigma e do Suspense, que eram confundidos por causa da similaridade de elementos e estruturação de narrativa. Foi-se atribuindo mais características à Ficção Policial, moldando-o na forma em que conhecemos.

O fato é, que apesar da evolução do gênero, apenas um que se pode ser verdadeiramente categorizado como romance policial ou uma melhor entitulação, uma ficção policial, é atribuir o formato de narrativa como um depoimento de relatório de processo criminal. Interessante saber que em uma menção de um dos livros do crítico filósofo búlgaro Tzvetan Todorov, que ele declara que o verdadeiro romance policial é a narrativa em forma de relatório investigativo policial.
No formato de relatório narra-se toda a essência do que foi a descoberta do elemento alvo de investigação, o processo de investigação, a descoberta da motivação do crime, a apresentação dos suspeitos e a conclusão de toda a trama investigativa. Tudo descrito de forma concisa e direta.
No mesmo livro, Todorov declara também que a tentativa de se trazer uma melhora literária ao romance policial o transforma. Ele deixa de ser um ficção policial e evolue para um romance de literatura.
Apesar de atribuir a autenticidade de uma ficção policial àqueles que têm o contato direto com a profissão, os que apenas almejam trilhar nesse campo têm de se valer de uma criativadade em elaborar as tramas que justifiquem a temática, são poucos ou quase nulos o apoio técnico que os escritores buscam ou que têm de acesso de fato.
Se houvesse um maior interesse dos escritores em conhecer a estrutura da legislação policial brasileira, não teríamos uma cultura “americanizada” dos processos e procedimentos investigativos. Apesar de mais filmes e séries brasileira em se esforçarem de se mudar esse cenário, os novos autores ainda lidam com um campo quase às cegas.
E também pode-se atribuir a falta de visão em se localozar ou ambientar em nosso país, acreditando que escrevendo sob a mesma temática que um americano ou um europeu realizam, acham que alcançarão o mesmo sucesso ou atenção desses mercados.
É uma ilusão esse fato.
O que não é ilusão é o interesse do público brasileiro por fatos ocorridos em seu próprio país.
Os que atribuem o fracasso do gênero no Brasil na maioria das vezes se valem de “moldes” de ideias e temática dentro da ficção policial, como sendo a maioria esmagadora seguirem o Noir.
No Brasil seguem poucos autores que utilizam ou sabem de fato a rotina de uma investigação policial brasileira. Cito o livro “O Caso Helena“, de Gunther Schmidt de Miranda, policial civil carioca na ativa. Ou mesmo de Roger Franschini, que em seu currículo inclui uma passagem pela Polícia Civil Paulista.
Tantos outros que também se ambientam no Brasil, mas com narrativa mais “literária” no molde do Noir, tal como o livro “Paisagens Noturnas“, de Vera Assumpção. Ou mesmo o “Bellini e a Esfinge” de Tony Belotto. Há casos de inclusão de temáticas curiosas, como o “Damas Turcas” de Carlos Castelo.
Há muitas temáticas dentro da ficção policial que têm o potencial de atrair o público, que tenderá a crescer com as séries e filmes nacionais a explorarem o gênero. Quase não há ou inexiste romances que trilham pela temática digital, por exemplo. Ou mesmo versando sobre o campo da conspiração, por exemplo.
Concluindo, a ficção policial tende a crescer e voluir cada vez mais. A cada nova dimensão que os crimes ganham, mais assunto e histórias surgirão, no agrado dos fãs do gênero.

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2 thoughts on “Divagações sobre a Ficção Policial – Sob a visão de estudos do gênero, Brasil e novas tendências

  1. Márcia, você tocou num ponto importante, a dificuldade em compreender o sistema criminal brasileiro. Somos tão inundados com o dia a dia das agências norte americanas que é mais fácil falar sobre elas. Também sinto falta, como você citou, de romances do tipo conspiração ou que envolvam tecnologia da informação.

    • Pois é Thiago. É o tipo de assunto em que abordo em um livro que espero publicar logo. Esse nicho, o de tecnologia da informação, é algo novo e os escritores do gênero não acompanham as novidades. Sorte minha, pois foi o diferencial para que a editora aceitasse o meu livro. Tai um assunto a ser explorado e quase não tem quem escreva.

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