Sobre Ler Mia Couto

Já tive contato com livros de autores de língua portuguesa, de outras ex-colônias.

Cada autor carrega peculiaridades de cada nação em que vive, cultura, costumes locais etc.
É meio inevitável que cada um traga também histórias que conviveram ou ouviram em seus meios sociais.
Em alguns, por viverem em solo africano, trazem muitas histórias do imaginário popular local.
Não sei se por falta de divulgação ou mesmo uma certa rejeição cultural relacionado à cultura africana, muitas dessas histórias passam longe do grande público brasileiro, que catequisado por literatura estangeira que empurram valores culturais estranhas à nossa, que meio que obscurecem o contato de nossos colegas de língua portuguesa.
Percebo claramente essa questão por causa do autor Mia Couto, que recentemente, no mês de maio, concorreu a um importante prêmio literário europeu. Juntamente com outros colegas de língua portuguesa, evidenciou seu nome na mídia.
Apesar de não ser o ideal, a indicação de nomes de autores em prêmios literários é uma das formas de se saber da existência dos que já têm um certo nome no mercado editorial.
Já gostava demais do José Eduardo Agualusa, da narrativa de seus contos com histórias inusitadas para os que estamos acostumados a ler.
Mas quando li o livro Vozes Anoitecidas, de Mia Couto, trouxe-me histórias que me maravilharam. Unir a poética narrativa em histórias de cunho fantástico, na contextualizaçao da cultura local de Moçambique, trouxe um universo novo e inesperado.
A poética de suas histórias é um dos fatores que muito está em falta nos livros da maioria dos autores. Muito se explora em contar histórias, com toda sua estrutura básica de começo, meio e fim. Mas algo que não é dada a importância e nem estimular é trazer o elemento da poética. Talvez por não entenderem ou algo desvalorizado nos dias de hoje dentre os autores mais novos, a poética é o elemento que torna uma obra mais elevada literáriamente. Muito se questiona a razão de determinadas obras ganharem destaque sem ser uma escrita claramente comercial.
Muito se questiona mas não se enxerga aquilo que não compreende-se, que é a poética do contexto e palavras que tornan uma história de realismo fantástico, independente de gênero.
É possível sim acrescer poética a gêneros literários que tradicionalmente não adicionam esse fator menosprezado e incompreendido.
Basta entender, pesquisar, treinar e praticar.
Os que têm vontade de fazer algo poético em seus textos, trabalhariam até se obter esse verniz literário que faz diferença.
Os que não compreendem, simplesmente conteste e gaste energia em debater, ao invés de estudar.
Escrever é um eterno estudo sobre a alma do ser humano traduzido em palavras.

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