Quando os Livros Foram à Guerra, de Molly G. Manning – Resenha de Livro

Quandio-os-livros-foram-para-a-guerraEditora Casa da Palavra
272 págs.

Imaginem uma praça grande e aberta, com uma aglomeração de pessoas como se esperasse um desfile, com pilhas de livros em meio desta. Estacionam caminhões onde pessoas fazem fila para descarregar mais livros nesses montes. Após um discurso acalorado, começam a colocar fogo nesses montes? Acrescendo à essa cena, partidários incitarem a multidão a jogarem mais e mais livros nessa fogueira.
Não se trata de cena de filme ou um pesadelo qualquer.
Esse foi um fato que ocorreu na cidade de Berlim, em Bebelplatz. Esse evento foi entitulada de “Holocausto dos Livros”, patrocinada pelo partido nazista. Não só por esse dia, repetiu-se por outras cidades alemãs em 1933, que se sucedeu por toda Europa, que tivesse os invasores nazistas. Nessa ação total de queima de livros considerados “não-alemães”, foram queimados mais de 110 milhões de livros. É uma cena que foi retratada em um dos filmes do Indiana Jones inclusive.
Muitas bibliotecas, livrarias e coleções históricas foram destruídas. Houve ações dentre os bibliotecários, livreiros e leitores para que salvassem o que pudessem em lugares mais seguros e em até em cavernas. Possuir um livro de autor e literatura não-alemã era um risco.
Não só ocorreu a queima, houve o banimento de títulos e autores que não fossem condizentes à ideologia do Nazismo, principalmente os de origem judaica ou que fossem contrários ao ideologismo. Era somente permitidos livros e autores que fossem aprovados pela Censura. O livro Mein Kampf era um livro obrigatório a todos os moradores e partidários sob o julgo do Nazismo.
A contra reação do absurdo ocorrido, já com os rumores que os EUA entraria na Guerra, impulsionou uma campanha massiva de doações de livros. Essa preocupação em dar 1 livro para cada soldado que fosse participar da guerra era devido não só proporcionar uma foram de entretenimento barato, e também um recurso de válvula de escape para momentos difíceis tal como o medo, solidão, tédio, dentre outros.
Apesar da campanha de arrecadação de livros ter um apoio expressivo, muitos títulos e volumes coletados não eram adequados para que um soldado guardasse em sua mochila. Livros de capa dura ou de temáticas pouco apropriadas eram uma boa parte das doações feitas. Apesar da boa vontade do povo, o governo queriam que fossem leves, pequenos e baratos, além de títulos que não fossem do tipo “Como tricotar” ou “Manual do Coveiro”.
Fundou-se o Conselho sobre Livros em Tempo de Guerra, onde figuras importantes do mercado editorial se juntaram para estudar como os livros poderiam servir ao país durante a Guerra. Foram escolhidos cuidadosamente títulos de livros, onde adaptaram-se os que eram no formato normal (14×21) e capa dura, para volumes de capa de cartão mole, em formato menor que coubesse em um bolso do uniforme.
Nascia então a ASE (Armed Service Editions) para cuidar das edições adaptadas para serem distribuídas gatuitamente dentre as tropas.
O texto era impresso em duas colunas, onde a impressão destes fora adaptada para que coubessem muitas páginas e em papel mais barato. Nesse processo onde as gráficas podiam fornecer esse tipo de edição, cada livro chegou a custear ao governo 5 centavos de dolar. O autor selecionado recebia direitos autorais pela colaboração, sendo que recebiam era em torno de 1% de cada livro impresso.
Além de títulos que não só proporcionassem um entretenimento que não incitasse a discórdia, sexo ou grandes discussões, as histórias que remontassem o jeito de viver tipicamente americano. Haviam também solicitações por parte dos soldados que houvessem leituras que trouxesse conhecimento, cultura nos lugares que estavam em campanha.
Os livros proporcionavam momentos preciosos para os soldados. De tão populares, eles escreviam cartas para os autores, não só agradecendo pela obra escrita, assim como de relatos em que a leitura destes mudaram suas vidas e amenizaram momentos difíceis em que passaram, suportando-as melhor.
O sucesso da leitura dos livros era devido à necessidade de entretenimentofácil e barato, além de acrescer algo construtivistapara o desenvolvimento intelectual. Muitos soldados que nunca ou quase não liam, passaram a valorizar a leitura.
Uma vez que os soldados eram estimulados a lerem, quando retornaram, sentiam-se estimulados a prosseguirem nos estudos. Tornaram-se alunos notáveis e com a média acima dos que não foram à guerra.
Os exemplos e casos citados são impressionantes sob a ótica de quem nunca vira um fenômeno editorial como esse, proporcionado por um governo. Tanto esforço para garantir livros que mantivesse um conforto simples e barato, denota o tipo de preocupação dada por um país que não está à toa dentre os mais desenvolvidos.

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