Quando nem sempre ser visível significa ter qualidade literária

Quando frequentava mais vezes as redes sociais, volta e meia (ou quase sempre) topava com as propagandas de autores iniciantes ou aqueles que arrebentam de sucesso em curtidas (um post de um parágrafo apenas, rendia mais de 500 curtidas). Por essas, movida pela curiosidade, cheguei a seguir entusiasticamente um desses autores novos e comprar seus livros.

Ao ler as obras, senti-me enganada. A qualidade literária era muito abaixo do que esperava. E pior: fiz o que a massa bovina fez, que foi seguir sem ao menos apurar ou racionalizar se a escrita do autor valia isso tudo.

A partir daí, passei a duvidar de outros que invadiam todos os dias com seus posts. Uma delas, que estava no segundo livro, por alguma sorte, ganhei os dois livros.
Mesma coisa.
A pessoa que me presenteou não conseguia acreditar o quão ruim poderia ser uma pessoa que se propões a se meter nesse ofício, ter o amparo monetário do marido, escrever com tantos erros e ainda por cima conseguir essa evidência enganosa nas
redes.
Nem o sebo queria comprar quando quis revender.
Desde que me dediquei a fazer a faculdade, tenho feito muito pouca propaganda de meus trabalhos e de leitora profissional também. Tanto que, um desses autores do sul, sequer me retornou o contato para retribuir a resenha de duas obras que fiz.
Ou seja, se não aparece ao menos uma vez ao dia em todas as redes sociais, você é um desconhecido, uma pessoa esquecível, um grão nesse mar digital.
A minha obra pode não ser grande coisa, mas sei contar uma boa história com coerência, com um tom interessante e inusitado. Além disso, tenho intenções de ao menos dar um apoio em leitura de livros nacionais. Mas ao ver certos escritores(as) de péssima escrita se destacarem e ganharem espaço, não posso perder terreno. Já não sou ligada a nenhum grupo social que posso me fazer presente e muito menos ligações sociais e econômico influentes que posso ao menos dizer que escrevo algo.
A falta de propaganda e exposição é a morte lenta de um escritor. Estar em evidência significa a vida ou morte de sua imagem.
Digo isso pois foi o erro que cometi desde que me vi afogada em trabalhos acadêmicos, escrita e de leitura, além do trabalho do meu ganha pão.
Por não ter o amparo de ninguém, (vide editora, amigos escritores que simplesmente te dão as costas, leitores parceiros que desaparecem, etc.), tenho que trabalhar herculeamente para me fazer presente, além de manter minha produção literária sempre ativa.
Em compensação, os poucos que me apoiam, fazem sem ter dúvidas ou remedar preços ou barganhar leituras de seus livros. O apoio dos poucos que não só compraram meu livro, me presentearam com curtidas, opiniões valiosas sobre suas leituras, mensagens de apoio. Ou seja, o pouco que valeu por todos que me ignoraram, por terem sido sinceros em suas manifestações.
Posso não ser uma boa vendedora de livros mas ao menos sou consciente de meu papel de escritora, que é contar histórias e saber como fazer isso o mais profissional possível.
Nada de parecer uma dona de casa com a produção bancada pelo marido ou família ou mesmo um perfil artificial cuidado por agências de publicidade.

 

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