10 Mandamentos da ficção policial, por Ronald Knox

Ronald-Knox_regras-do-romance-policialRonald Knox era um escritor de mistério no início do século 20 que pertencia ao Detection Club, uma sociedade literária povoada por escritores lendários como Agatha Christie, Dorothy Sayers, GK Chesterson e Bentley CE. Entre os romances do autor estão The Viaduct Murder, Double Cross Purposes e Still Dead.
Knox também foi um padre católico, que talvez seja por isso que ele estava tentado a escrever um tipo de 10 Mandamentos da ficção policial.
Essas regras foram publicadas no prefácio da revista Best Detectives Stories 1928-29. No início, eram consideradas uma curiosidade dentre os escritores do gênero. A partir daí, elevou a ficção policial a um nível intelectual onde desafiaria o leitor com enigmas inclusas no enredo da história. Era algo desafiador não só para o leitor, assim como para o escritor que exercitaria sua inteligência em bolar os mais complicados ou ardilosos recursos para prender a atenção do leitor até o fim da leitura do livro. O sucesso do livro implicaria não só a satisfação de ter aturdido e entretido o leitor, assim como gerar uma empolgação e o anseio de um novo livro.
Vale ressaltar que a maioria dessas regas persiste até hoje, mas a maioria já se tornou-se obsoleta. Há escritores que, mesmo tendo ciência dessas regras, gostavam em quebrá-las.
Se for escrever esse gênero de história, dá uma olhada nessas regras:
1) O criminoso deve ser mencionado na primeira parte da história, mas não deve ser alguém que chame a atenção do leitor.
2) Todas os fatos sobrenaturais são descartadas como uma coisa natural.
3) Não mais do que um quarto ou passagem secreta é permitido.
4) Venenos desconhecidos podem ser utilizados, mas um aparato utilizado que não deverá ter uma explicação científica longa no final.
5) Nenhum chinês deve figurar na história.*
6) Nenhum acidente ou acaso deve sempre favorecer o detetive e nem ele deve ter uma intuição inexplicável.
7) O próprio detetive não pode cometer o crime.
8) O detetive não deve seguir pistas que não serão entendidas pelo leitor.
9) O amigo estúpido do detetive, o típico Watson, não deve esconder todos os pensamentos que passam por sua mente. Sua inteligência deve ser um pouco, mas muito pouco, abaixo da do leitor médio.
10) Não utilizar o recursos dos gêmeos ou do sósia, a menos que a história permita a presença deles.

*Nota: Esse é a regra mais estranha dessa lista, mas explicável. Na época em que foi publicada, havia um personagem muito popular, Dr. Fu Manchu, gênio oriental do crime, criado por Sax Rohmer, entre 1912 a 1959. Foi “esquecido” por fomentar o preconceito contra o povo oriental.

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